Claude encontra falhas inéditas em algoritmos criptográficos e amplia debate sobre o uso de IA na segurança digital
A Anthropic revelou que o Claude Mythos Preview conseguiu descobrir novas formas de atacar algoritmos criptográficos utilizados como referência em pesquisas de segurança digital. Os resultados representam avanços importantes para a área de criptografia, embora não afetem sistemas em produção nem coloquem em risco a segurança atual da internet.
Os experimentos mostram que o modelo foi capaz de identificar vulnerabilidades matemáticas nos próprios algoritmos, indo além da descoberta de falhas de implementação em bibliotecas de software. O trabalho resultou em melhorias em ataques contra o esquema de assinatura digital HAWK, candidato à criptografia pós-quântica, e contra uma versão reduzida do AES, um dos padrões de criptografia mais utilizados no mundo.
Como funcionam as descobertas
O primeiro resultado envolve o HAWK, um esquema de assinatura digital desenvolvido para resistir a futuros computadores quânticos. Durante cerca de 60 horas de pesquisa, o Claude Mythos Preview encontrou uma nova abordagem que reduz pela metade a força efetiva das chaves originalmente propostas pelo algoritmo.
A técnica explora uma simetria matemática até então não utilizada, permitindo acelerar um ataque conhecido. Apesar do avanço, o método continua exigindo tempo exponencial para ser executado e não compromete outros candidatos à criptografia pós-quântica analisados pelo NIST.
O segundo estudo se concentra no AES, padrão de criptografia simétrica adotado em 2001. Nesse caso, o modelo encontrou uma maneira de acelerar entre 200 e 800 vezes o melhor ataque conhecido contra uma versão reduzida de sete rodadas do algoritmo.
Como o AES completo utiliza dez rodadas, a descoberta não representa uma quebra prática da criptografia empregada atualmente. O objetivo desse tipo de pesquisa é compreender melhor os limites de segurança do algoritmo por meio da análise de versões simplificadas.
Processo de pesquisa
Os experimentos foram conduzidos em ambientes controlados, nos quais o Claude trabalhou de forma amplamente autônoma, utilizando ferramentas de programação, experimentos matemáticos e revisão de literatura científica.
No caso do HAWK, pesquisadores acompanharam o desenvolvimento da descoberta oferecendo apenas orientações pontuais sobre organização do trabalho e verificação computacional. Já na pesquisa sobre o AES, o modelo gerou centenas de milhões de tokens ao longo de vários dias até chegar à técnica que recebeu o nome de "Möbius Bridge".
Após as descobertas, pesquisadores passaram centenas de horas validando os resultados antes da divulgação pública.
Outras pesquisas
Além dos dois trabalhos principais, a Anthropic informou que o Claude também encontrou avanços em ataques contra versões reduzidas de outros algoritmos criptográficos, como LEA e Serpent, além de melhorias mais modestas envolvendo Salsa20, Poseidon e SHA-1.
A empresa também anunciou o CryptanalysisBench, um benchmark desenvolvido em parceria com pesquisadores da ETH Zurich, Universidade de Tel Aviv e Universidade de Haifa para avaliar a capacidade de modelos de linguagem em pesquisas de criptografia.
As descobertas não exigem mudanças nos sistemas atuais nem indicam que a criptografia utilizada na internet esteja comprometida. O principal impacto está na demonstração de que modelos de inteligência artificial já conseguem participar de pesquisas altamente especializadas em criptografia, identificando vulnerabilidades que passaram anos sem serem encontradas por especialistas.
Esse avanço pode acelerar o desenvolvimento de algoritmos mais seguros e fortalecer o processo de revisão de novos padrões criptográficos. Ao mesmo tempo, amplia o debate sobre como governos, indústria e comunidade acadêmica devem lidar com a possibilidade de futuras IAs identificarem vulnerabilidades com impacto direto em sistemas amplamente utilizados.












