Sony e Warner processam Anthropic por suposta pirataria no treinamento do Claude

A Sony Music Publishing e a Warner Chappell Music entraram com um processo contra a Anthropic, desenvolvedora do Claude, acusando a empresa de usar em larga escala obras protegidas por direitos autorais sem autorização.
A ação foi apresentada em 28 de agosto de 2026 no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia. Além da Anthropic, o processo inclui como réus individuais o CEO e cofundador Dario Amodei e o cofundador Benjamin Mann.
Editoras acusam Anthropic de obter conteúdo protegido
O processo reúne 35 editoras e empresas ligadas principalmente à Sony Music Publishing e à Warner Chappell. Os autores classificam a conduta atribuída à Anthropic como uma das maiores operações contínuas de apropriação indevida de propriedade intelectual já realizadas.
A acusação sustenta que materiais protegidos foram obtidos por meio de downloads, torrents e coleta automatizada de conteúdo para utilização no desenvolvimento dos modelos de inteligência artificial da Anthropic.
As editoras argumentam que esse processo atingiu dezenas de milhares de composições musicais protegidas por direitos autorais, transformando a origem dos dados de treinamento do Claude em um dos principais pontos da disputa judicial.
Dario Amodei também aparece como réu
Um dos aspectos que chama atenção na ação é a inclusão de executivos da Anthropic como réus individuais.
Dario Amodei e Benjamin Mann são acusados de terem participado da direção e supervisão das práticas questionadas pelas editoras. Dessa forma, o processo não limita as acusações à responsabilidade corporativa da Anthropic.
A ação pede julgamento por júri e tem como base alegações de violação de direitos autorais. O processo foi registrado sob o número 5:26-cv-09217.
Disputa aumenta pressão sobre empresas de IA
O caso amplia o conflito entre detentores de direitos autorais e desenvolvedores de inteligência artificial sobre a origem dos grandes conjuntos de dados utilizados para treinar modelos generativos.
No centro da discussão está não apenas a possibilidade de modelos aprenderem a partir de material protegido, mas também a forma como esse conteúdo foi obtido antes do treinamento.
A Anthropic rejeitou as acusações apresentadas pelas editoras e indicou que pretende se defender no processo.
Processo pode ampliar debate sobre dados usados para treinar IA
A ação de Sony Music Publishing e Warner Chappell adiciona uma nova frente às disputas jurídicas sobre propriedade intelectual na inteligência artificial.
A presença de Dario Amodei e Benjamin Mann entre os réus também aumenta a relevância do processo para o setor, porque coloca em discussão até que ponto executivos podem ser responsabilizados individualmente por decisões relacionadas à obtenção e ao uso de dados de treinamento.
O resultado pode ganhar importância para empresas que desenvolvem modelos generativos e para detentores de direitos autorais, especialmente em um mercado no qual a procedência dos dados utilizados no treinamento se tornou parte central das disputas entre tecnologia e indústria de conteúdo.