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Uso de IA já alcança 68% das profissões nos EUA, mas automatiza poucas tarefas

O uso de inteligência artificial no ambiente de trabalho já está presente em 68% das ocupações detalhadas dos Estados Unidos, mas ainda participa de apenas cerca de 21% das tarefas realizadas em um emprego típico. Os dados fazem parte do primeiro relatório do projeto ATLAS (Activity, Task, Landscape, and Adoption Study), divulgado pelo Google.

O estudo oferece um retrato diferente da narrativa de substituição em massa de trabalhadores por IA. Em vez de automatizar funções inteiras, as ferramentas são utilizadas principalmente como apoio para pesquisa, escrita, análise, aprendizado e geração de ideias.

O que revelou o estudo

O estudo foi desenvolvido a partir da análise de 15 milhões de interações anônimas realizadas entre 6 e 19 de abril de 2026. Os dados foram coletados no aplicativo Gemini, no AI Mode da Pesquisa Google e na API do Gemini, abrangendo mais de 150 países, 140 idiomas, cerca de 800 ocupações e aproximadamente 4 mil tarefas.

Segundo o Google, o objetivo do ATLAS é acompanhar como a inteligência artificial está sendo incorporada ao cotidiano das pessoas e criar uma base de dados recorrente sobre seu impacto na economia.

Apesar da ampla presença da IA no mercado de trabalho, o uso permanece limitado dentro de cada profissão. Em média, os trabalhadores recorrem às ferramentas em apenas cerca de um quinto das atividades que desempenham.

IA auxilia mais do que substitui

Um dos principais resultados do levantamento mostra que a automação completa ainda é incomum.

Menos de 10% das interações relacionadas ao trabalho resultam na execução integral de uma tarefa pela inteligência artificial. Na maioria dos casos, a tecnologia funciona como uma assistente, ajudando na elaboração de textos, pesquisas, aprendizado, brainstorming e outras atividades cognitivas.

O estudo também revela que a inteligência artificial é utilizada com muito mais frequência em tarefas classificadas como cognitivas não rotineiras.

São atividades que envolvem interpretação, criatividade, análise, planejamento e resolução de problemas.

Embora esse tipo de trabalho represente aproximadamente 35% das tarefas existentes na economia, ele corresponde a 65% de todas as interações profissionais registradas pelo Google.

Isso sugere que as ferramentas atuais apresentam maior valor em trabalhos baseados em conhecimento do que em atividades altamente repetitivas ou operacionais.

Uso vai além dos profissionais de escritório

O levantamento também identificou adoção da IA em profissões técnicas e operacionais.

Mecânicos industriais, técnicos automotivos e outros trabalhadores utilizam assistentes conversacionais para diagnóstico e solução de problemas em tempo real.

Segundo o Google, esses trabalhadores têm o dobro de probabilidade de utilizar imagens durante a interação com a IA quando comparados à média dos usuários profissionais.

A maior parte do uso ainda acontece fora do trabalho

Apesar do foco no ambiente profissional, o relatório mostra que a utilização da IA ainda é predominantemente pessoal.

Mais de 86% das interações analisadas ocorreram fora do contexto de trabalho. Entre os principais usos estão:

  • pesquisas para compras;
  • organização doméstica;
  • auxílio em documentos;
  • serviços governamentais;
  • impostos;
  • licenciamento;
  • planejamento de viagens;
  • educação;
  • dúvidas do cotidiano.

Esse dado ajuda a explicar por que o percentual de tarefas profissionais assistidas por IA ainda permanece relativamente baixo. No entanto, o próprio Google destaca algumas limitações importantes do levantamento.

Os dados analisados dizem respeito apenas aos produtos voltados ao consumidor e a desenvolvedores independentes.

Ficaram de fora soluções corporativas como:

  • Gemini Enterprise;
  • Gemini para Google Cloud;
  • Gemini no Google Workspace;
  • AI Overviews da Pesquisa Google.

Isso significa que o estudo não retrata necessariamente o comportamento de grandes empresas que utilizam IA integrada aos seus processos internos.

Adoção acompanha o desenvolvimento econômico

O Google também observou uma relação entre o nível de desenvolvimento econômico e o uso da inteligência artificial.

Segundo o estudo, um aumento de 1% no PIB per capita está associado a um crescimento aproximado de 0,9% na adoção da IA. Ainda assim, alguns países de renda média, especialmente na América do Sul e no Oriente Médio, apresentam níveis de utilização próximos aos de economias mais desenvolvidas.

O relatório também mostra que o inglês representa apenas cerca de um terço das conversas registradas, indicando uma expansão significativa do uso em outros idiomas.

O impacto para o mercado

Os dados do ATLAS reforçam que a inteligência artificial está sendo incorporada ao cotidiano profissional de forma ampla, mas ainda atua principalmente como ferramenta de apoio. Em vez de substituir trabalhadores, os sistemas atuais aumentam a produtividade em tarefas específicas, especialmente aquelas que exigem análise, criatividade e produção de conteúdo.

O estudo também sugere que a adoção corporativa pode ser diferente da observada entre usuários comuns, já que as plataformas empresariais ficaram de fora da pesquisa. Mesmo assim, o levantamento oferece uma das visões mais abrangentes já divulgadas sobre como a IA está sendo utilizada no trabalho e indica que a transição para processos totalmente automatizados ainda deve ocorrer de forma gradual.